quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CPMI das Fake News: assessores do ‘gabinete do ódio’ são convocados

Assessores do presidente Jair Bolsonaro que integram um núcleo de comunicação ligado ao vereador Carlos Bolsonaro terão de comparecer obrigatoriamente à comissão

 Por: Por Renato Onofre, da Agência Estado
A presença de Eduardo Bolsonaro não impediu derrotas do governo na CPMI das Fake News. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Nem mesmo a presença do novo líder do PSL, o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), evitou uma nova derrota do governo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News nesta quarta-feira (23).

Deputados e senadores do colegiado aprovaram a convocação de assessores do presidente Jair Bolsonaro, incluindo o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, o assessor especial da Presidência, Felipe G. Martins, além de integrantes do chamado “gabinete do ódio”.

O termo é usado internamente no governo para se referir ao núcleo composto pelos assessores da Presidência Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. Os três foram convocados, o que significa que serão obrigados a comparecer à CPI. Ainda não há data para que isso ocorra.

Defensor da pauta de costumes, o grupo é ligado ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, responsável pela estratégia de comunicação da campanha do pai no ano passado. Entre as funções que o grupo exerce no governo está a atualização das redes sociais da Presidência da República.

A comissão investiga a disseminação de notícias falsas nas eleições de 2018. Adversários tentam usar a CPI para encontrar irregularidades na campanha que elegeu Bolsonaro. A oposição tem levado larga vantagem na comissão. Como mostrou o Estado, dos 92 pedidos aprovados até ontem, 85 tiveram como autor parlamentares do PT, PSB ou PDT.
Joice Hasselmann disse que filhos de Bolsonaro comandam milícia digital. Foto: Marcos Brandão/Senado Federal
Comissão também aprova convocação de ex-aliados, como Joice Hasselmann

Na reunião desta quarta-feira, a CPI também aprovou ouvir ex-aliados de Bolsonaro. Entre eles o ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido após entrar em confronto com Carlos Bolsonaro. Ele foi convidado, então pode escolher se aceita falar aos parlamentares.

A oposição conseguiu ainda chamar a ex-líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), e o ex-líder do PSL na Câmara Delegado Waldir (GO). Joice acusou os filhos de Bolsonaro – de comandarem uma rede de 1,5 mil perfis falsos para disseminação de notícias falsas.

As declarações foram dadas na segunda-feira, 21, ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Ainda foram chamados a dar explicações os empresários Luciano Hang e Otávio Oscar Fakhoury, apoiadores da campanha do presidente.
Carlos Bolsonaro: “Vamos lá falar umas verdades a estes porcarias!” Foto: reprodução/redes sociais
Parlamentares discutem convocar Carlos Bolsonaro

Parlamentares chegaram a discutir durante a sessão se convocariam Carlos Bolsonaro para prestar depoimento à CPI. Um pedido para ouvi-lo, porém, não chegou a entrar na pauta.

Na semana passada, o vereador licenciado admitiu pela primeira vez administrar as redes do pai ao postar críticas ao fim da possibilidade de prisão após condenação em 2ª instância no perfil do pai no Twitter e depois apagar.

“Se quiserem chamar o Carlos que chamem. Para mim é indiferente. Seria até bom porque ele falaria umas verdades”, afirmou o deputado Eduardo Bolsonaro. O próprio Carlos sinalizou que pode ir à CPI. “Vamos lá falar umas verdades a estes porcarias!”, postou no Twitter ao comentar uma notícia sobre o assunto.
Tentativa de convocar ex-presidentes Lula e Dilma foi rejeitada

Comandada por Eduardo, a bancada governista tentou votar em bloco os 96 requerimentos para incluir na lista de convocados os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

A manobra foi rejeitada por 12 a 9. Contudo, eles conseguiram aprovar a convocação da deputada Gleisi Hoffmann (PT-SP), presidente nacional do PT. Ainda durante a reunião o PSOL anunciou que entrou com uma representação na Procuradoria-geral da República.

O objetivo é investigar a disseminação de notícias falsas nas redes sociais. O documento cita nominalmente Jair Bolsonaro e os três filhos do presidente – Flávio, Eduardo e Carlos – e pede a apuração de denúncias da existência do esquema de milícia digital. 

A representação pede abertura de investigação e os depoimentos dos deputados Alexandre Frota (PSDB-SP), Joice Hasselmann e Delegado Waldir, que nos últimos dias fizeram declarações públicas sobre a existência de grupos dentro do Palácio do Planalto para disseminar notícias falsas.

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