domingo, 26 de dezembro de 2021

Sociedade de Pediatria rebate fala de Queiroga sobre mortes de crianças por covid-19

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) divulgou, na última sexta-feira (24), um manifesto no qual defende a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 e ainda rebate as declarações dadas pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que a morte de crianças não implica decisões emergenciais.

“Mortes motivadas pela Covid-19 na população pediátrica, de forma geral, incluindo o grupo de crianças de 5-11 anos, não estão em patamares aceitáveis. Infelizmente, as taxas de mortalidade e de letalidade em crianças no Brasil estão entre as mais altas do mundo”, diz trecho do manifesto.

Desde o início da pandemia, 2.500 pessoas de zero a 19 anos morreram por causa da doença. Mais de 300 delas confirmadas no grupo de 5 a 11 anos, segundo dados da SBP.

No manifesto, a SBP ainda ressalta as sequelas deixadas pela Covid-19. Há mais de 1.400 casos confirmados de síndrome inflamatória multissistêmica — quadro grave de tratamento hospitalar que se manifesta semanas após a infecção — em crianças, em média, de 5 anos. Ao menos 85 morreram por complicações neurológicas, cardiovasculares e respiratórias da síndrome.

“Ignorar este fato, minimizar sua importância e afirmar que elas são aceitáveis não são atitudes esperadas das autoridades. A sociedade espera e merece outro tipo de postura e de compromisso com a saúde das crianças e adolescentes do Brasil”, defende a nota.

Consulta pública

O Ministério da Saúde disponibilizou formulário de consulta pública sobre a vacinação de crianças na última quinta-feira (23). A medida segue até o dia 2 de janeiro. A decisão de inclusão ou não dessa faixa etária no PNI (Programa Nacional de Imunizações) vai ocorrer, por sua vez, em 5 de janeiro.

Na sexta-feira, a plataforma começou a apresentar instabilidade relatada por usuários de todo o país por meio das redes sociais. A pasta chegou a alterar a plataforma de realização da consulta pública. O órgão informou que foi necessário migrar a ferramenta para o site gov.br.
R7