terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Delegados de Polícia Civil aderem à paralisação no RN e delegacias em Natal fecham as portas

Categoria segue decisão de agentes e escrivães em reivindicação por manutenção do Adicional por Tempo de Serviço. Paralisação interferiu nos serviços realizados.
Por g1 RN
Delegados de Polícia Civil do Rio Grande do Norte decidiram seguir agentes e escrivães e paralisar as atividades por tempo indeterminado. A medida foi tomada após assembleia realizada na tarde desta segunda-feira (7).

Diante desse movimento, as delegacias de plantão da Zona Norte e da Zona Sul de Natal e as de bairro ficaram com as portas fechadas nesta segunda-feira (7).

Segundo a presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Rio Grande do Norte (Adepol-RN), Taís Aires, a categoria optou "por paralisar as atividades também, acompanhando a decisão que foi tomada mais cedo pelos agentes e escrivães, em razão desse problema envolvendo o Adicional do Tempo de Serviço dos policiais, que a gente vem tentando resolver com o governo do estado desde abril do ano passado".

"Só agora, de janeiro para cá, que o governo realmente veio dar uma atenção a essa situação, apresentou duas propostas que não atendem nem de longe os anseios da categoria", contou.

A presidente da Adepol relatou que a nova proposta do governo é a tentativa de suspender a ação judicial movida pelo Ministério Público que pede a retirada deste adicional de tempo serviço. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-RN), caso a Justiça acate esta retirada, os servidores poderão ter redução de salário de até 35%.

"Eles estão tentando novamente suspender a ação, e jogar essa negociação, essa resolução para o ano que vem. Isso não atende a classe. Uma nova reunião será realizada amanhã (terça-feira) com o governo para deliberar os novos rumos do movimento", falou a presidente.
Taís Aires é presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do RN — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Questionada sobre como fica o atendimento à população e os serviços, a presidente da Adepol disse que "cabe aos delegados associados cumprirem a determinação do que foi decidido pelos colegas em assembleia, mas a decisão de como vai funcionar, onde vão ser realizados os serviços, vai caber à Delegacia Geral de Polícia, que é quem comanda a Polícia Civil".

Interferências

A situação tem interferido em todas as etapas do serviço. O corpo de um homem assassinado às 8h no Planalto, Zona Oeste de Natal, nesta segunda-feira passou mais de sete horas no local do crime no aguardo de uma equipe da Polícia Civil que pudesse liberar o serviço do Itep.

Durante a tarde, uma viatura do 4º Batalhão da PM estava com um preso por tentativa de homicídio aguardando no camburão em frente à Delegacia Plantão Zona Norte, que estava fechada por causa da greve.

Um delegado e um escrivão estavam registrando as ocorrências na tarde desta segunda na academia da PM.

Paralisação

Os policiais civis do Rio Grande do Norte se reuniram em assembleia geral, nesta segunda-feira (7), em frente à Central de Flagrantes, e decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado. .
Policiais civis do RN paralisam atividades — Foto: Ayrton Freire/Inter TV Cabugi
A categoria informou que espera ser recebida pela governadora Fátima Bezerra para negociar sobre a situação do Adicional por Tempo de Serviço. "A categoria quer a presença da governadora Fátima Bezerra na mesa de negociação, para que ela possa entender a gravidade da situação e dizer se vai atender ou não o pleito dos policiais civis", disse Edilza Faustino, presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-RN).

Segundo ela, desde abril do ano passado, o sindicato e as outras entidades representativas tentam negociar com o Governo, mas somente em janeiro deste ano, após uma paralisação da categoria, a mesa de negociação foi aberta.

"Mesmo assim, o Comitê Gestor afirmou que não tinha conhecimento da proposta que as entidades protocolaram ano passado. O Governo apresentou outras duas propostas diferentes que foram rejeitadas pelos policiais civis por representarem perda real de salário e de direitos", comenta Edilza Faustino.