segunda-feira, 15 de junho de 2020

Líder de movimento feminista diz que Sara Giromini foi expulsa por sumir com dinheiro para protesto e espalhar mentiras

Até 2012, ela fez parte do Femen. Ucraniana afirma que ela pediu dinheiro para realizar ação, mas 'simplesmente desapareceu'; G1 entrou em contato com defesa da brasileira e aguarda resposta.

Por Gabriel Barreira, G1 Rio

A extremista Sara Giromini, que adotou o pseudônimo Sara Winter, presa nesta segunda-feira (15) em Brasília em uma investigação sobre movimentos antidemocráticos, foi excluída do grupo feminista Femen em 2012 acusada de "desaparecer" após receber dinheiro para fazer protesto que não foi realizado e espalhar mentiras sobre a organização. As afirmações são de Inna Schevchenko, líder do Femen, em entrevista ao G1 por e-mail.

O Femen é um grupo feminista fundado na Ucrânia, famoso por protestos em várias partes do mundo de mulheres com seios à mostra e frases escritas no corpo. Na época em que deixou o grupo, Sara negou o uso irregular de dinheiro enviado pela matriz e disse que a organização assumiu uma postura “ditatorial” com as integrantes brasileiras.

Atualmente, Sara Giromini é chefe do grupo 300 do Brasil, de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo a investigação que levou à prisão de Sara nesta segunda, o grupo é suspeito de organizar e captar recursos para atos antidemocráticos e de crimes contra a Lei de Segurança Nacional. Integrantes do grupo 300 participaram de ato no último sábado (13), quando manifestantes lançaram fogos de artifícios contra o prédio do STF.

O grupo também participou de acampamento em Brasília que foi desmontado por policiais militares após o Ministério Público do Distrito Federal classificar o movimento como "milícia armada".
A apoiadora do presidente Jair Bolsonaro Sara Giromini posa para fotos segurando armas — Foto: Reprodução/Twitter

"O engajamento político recente da Sara e as desinformações que ela espalhou sobre o movimento feminista nos últimos anos são uma vergonha", afirma Inna.

O G1 entrou em contato com a defesa de Sara Giromini para questionar sobre as acusações feitas pela líder do Femen, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem.