sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Cambista que vendia certificado falso no Rio aconselha jornalista a tomar a vacina: 'Não tomou por quê?'

Com câmera escondida, RJ1 filmou vendedores oferecendo o comprovante para quem não tomou o imunizante. Quatro pessoas foram presas nesta sexta-feira (21) na Zona Portuária.
Por Erick Rianelli, Júnior Alves e Rayssa Colafranceschi, RJ1
Mesmo flagrado cometendo um crime ao vender comprovantes de vacinação falsificados no Rio de Janeiro, um cambista fez questão de aconselhar a equipe do RJTV a se imunizar contra a Covid.

“Agora, se o senhor quiser mesmo, o certo é o senhor tomar a vacina, entendeu? Tem que tomar a vacina. Não tomou a vacina por quê?”, questionou o homem, que oferecia o cartão na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte, perto do Bioparque.

Como mostrou a reportagem, cartões de vacinação falsificados, usados para acessar locais onde é necessário comprovar a vacinação, são vendidos por até R$ 200 em plena luz do dia no Rio. Os flagrantes do RJ1 aconteceram em pelo menos dois lugares: na Uruguaiana e na Quinta da Boa Vista (veja mais no vídeo abaixo).

Prisões e flagrante

Nesta sexta-feira (21), PMs do 5º Batalhão (Gamboa) prenderam quatro homens que vendiam ingressos e comprovantes falsos de vacinação próximo ao AquaRio.

No Centro, com uma câmera escondida, a equipe de reportagem filmou o vendedor negociando o comprovante de vacinação.

“Cartão de vacina, meu amigo, estou vendendo a R$ 200 aí. Vem em branco, assim.”

O vendedor mostra um cartão de vacinação no celular e afirma que o cartão é o mesmo dado nos postos de saúde. Segundo ele, o próprio comprador deve preencher.

RJ1: Então preciso eu preencher”.

Vendedor: “Tu mesmo. Aí tu só tu copiar o que está aqui. Aqui CF Clínica da Família São José. Aqui tu só vai mudar o nome da pessoa. O nome vai botar o teu. Primeira dose tu bota uma data lá. Aí segunda dose tu bota outra data pra tu voltar, no caso. Entendeu?”

Após uma negociação, o vendedor entrega um comprovante de vacinação em branco da Prefeitura de Mesquita. Um outro homem se junta ao diálogo.

RJ1: “Isso aí é quente, bagulho é da Prefeitura de Mesquita mesmo”.

Vendedor: “Prefeitura de Mesquita”.

O vendedor anota o número de telefone dele e, no bilhete, se identifica como Guilherme. Por mensagem, horas depois, ele enviou duas fotos com o que seriam exemplos de um cartão em branco e outro preenchido. O cartão tem o nome da clínica do bairro Santa Terezinha, em Mesquita.

O comprovante é igual a outro, autêntico, de uma pessoa que se vacinou no mesmo posto, na mesma cidade.

Comprovante da Prefeitura de Mesquita é oferecido por homem na Uruguaiana — Foto: Reprodução/ TV Globo

Guilherme, o vendedor, garante que ninguém teve problemas com os comprovantes falsificados.

Vendedor:“Semana passada a menina pegou 10 comigo”.

RJ1: “Dez?”

Vendedor: “Ela não estava fazendo questão de os funcionários dela tomar a vacina então ela mesmo comprou dez para dar para os funcionários dela. Bagulho é quente, pode ficar tranquilo”.

Ele conta que também usa um cartão falsificado: “Para entrar no Fórum. Eu tive que ir lá no Fórum ver um negócio em um processo lá. Eu não tinha tomado a vacina. Eu peguei um, preenchi, fui lá e o cara só fez assim: ‘pode entrar’. Estou entrando em tudo quanto é lugar com ele. Eu mesmo tenho um”, afirmou o vendedor.

A venda de cartões de vacinação não acontece apenas no Centro. Ao lado do Bioparque, na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, tem cambista que vai além da venda de ingressos. Gente que percebeu a chance de ganhar dinheiro com a exigência do passaporte da vacina em pontos turísticos.